segunda-feira, 14 de julho de 2008

Finalmente!

Estava vendo "Juno" pela terceira vez quando a comparação mais óbvia que poderia existir se fez clara: Juno é Holden Caufield de saias!

Confesso que depois de ler "O apanhador no campo de centeio" restou um recalque mal-resolvido em relação aos personagens masculinos. Por que os melhores personagens ficam sempre para eles? Aqueles com quem a gente se identifica e concorda 100%...

Sim, porque ainda não consigo me identificar por completo com as quatro amigas de Nova Iorque que pagam fortunas em sapatos e passam a vida falando sobre homens, roupas e modismos. Apesar de divertidas e mais reais do que as personagens que Scarlet O'hara interpretava, as mocinhas pós-modernas beiram o feminismo exagerado que (ainda) não é visto com tanta freqüência quanto os produtores de Hollywood gostariam.

Finalmente, alguém escreveu uma persona feminina tão irônica e palpável quanto o ranzinza Holden. Se não fosse pelo espaço temporal existente entre eles (e pelo fato de ambos serem ficcionais), seriam o casal perfeito. Holden faz das suas páginas meios eficientes de lançar toda a acidez com que enxerga a vida. Juno, apesar de ainda não saber nem ao certo que tipo de garota é, faz a mesma coisa a cada minuto de filme. São adolescentes que reconhecem a idade que têm, mas não percebem a maturidade com que encaramos fatos. Talvez, essa simplicidade seja o que eles têm de mais complexo.

Cada um, a seu modo e dentro de seus contextos, são docemente amargos. Irresistivelmente irritantes. Irônicos, acima de tudo. Exatamente como a vida deve ser...

4 comentários:

Pedro Favaro disse...

Apanhador no campo de centeio é o livro.
A ironia é a melhor arma contra TUDO na vida. Protege mesmo.
Ridiculariza de maneira inteligente o que outros destruiriam burramente.
Adorei o post

Pedro Favaro disse...

Te linkei. Gostei mto daqui.

disse...

oi! legal seu blog. vou linkar no meu. até hoje não vi esse filmew, sempre vou na locadora e esqueço de pegar pra ver.

bjo

Jongleuse disse...

Sabe aquelas pessoas que você conhece um dia e que nunca mais cerá na vida? Quando eu tinha 15 anos conheci um amigo argentinod do meu pai que estava a trabalho aqui no Brasil. O cara era o retrato do que é ser cativante. Lá pelas tantas, durante o jantar, o cara disse que nenhum ser humano podia chegar aos 18 anos sem ter lido "O apanhador no campo de Centeio". Comprei o livro no dia seguinte. Nunca mais vi o argentino. Até hoje lembro dele e agradeço pelo livro